terça-feira, 25 de outubro de 2016

A morte do adolescente em Curitiba não é culpa das ocupações

A morte de Lucas Eduardo, 16 anos, ontem, numa escola ocupada em Curitiba é parte do que acontece todo dia nas periferias das grandes cidades: jovens morrendo pela violência, muitas vezes, com envolvimento com drogas.

Mas Lucas morreu dentro de uma escola palco de disputa política. Isso deu pra morte dele outra dimensão. A tragédia que acomete a família desse menino passou a servir de arma contra um lindo e inspirador movimento, que tem demonstrado que a juventude pode e deve ser protagonista de grandes transformações.

Na ocupações, eles estão cuidando das escolas como o Estado não faz; estão tendo acesso a aulas que o Estado não garante; estão debatendo questões que muitas vezes são tabu dentro de seus próprios lares.

Sinto certa repulsa quando vejo a forma enviesada e oportunista com que o governo do Paraná - com amplo apoio da imprensa tradicional - usa a morte de um adolescente que foi, na verdade, mais uma vítima da violência pra qual o próprio Estado não tem resposta a contento.

Pela memória de Lucas Eduardo e por todos os jovens pobres desse país, é preciso seguir a luta!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

E se já existisse o Escola Sem Partido?

Eu tinha 13 anos quando ouvi pela primeira vez a explicação científica para o fato de minha família e eu passarmos por várias privações materiais, enquanto outras crianças podiam viver na fartura. Foi o Flávio Vasco, professor de Geografia do 12 de Outubro.

Ali, entendi que o mundo que eu queria construir quando crescesse era outro.

Se o Escola Sem Partido vigorasse, talvez eu nunca entendesse que a minha pobreza não era culpa da minha mãe, uma providência divina ou algo imutável.

Viva os professores!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Vem, Marcela!

O texto abaixo foi escrito pela deputada federal Manuala D'Ávila (PCdoB/RS).



Cara Marcela, 

Quem me acompanha por aqui, ou na vida cotidiana, sabe o que eu penso sobre os cuidados e estímulos na Primeira infância. Tanto que decidimos, Duca e eu, ficar esse primeiro ano com Laura. Decidimos para tornar exclusiva a amamentação até o sexto mês, para prolongar a amamentação por mais tempo (Laura ainda mama com 1a1m), para curtirmos nossa pequena. 
Porém, isso só foi possível pois Duca é um artista que, normalmente, não  trabalha durante os dias em que eu trabalho. Isso só foi possível porque nós dois não temos jornadas equivalentes de trabalho, não somos "CLT", pois eu posso viajar para o interior com Laura. Isso só foi possível porque nós somos dois, não sou sozinha nessa aventura. Isso só é possível porque eu tive acesso a toda informação sobre a importância da amamentação e,também, porque  não ouvi de uma creche que era impossível armazenar leite materno ou que meu leite é fraco. 

Mas, escrevo  apenas  para dizer que sim, o programa Criança Feliz, coordenado por ti, Marcela, pode ser importante. 

PORÉM, são muitos os poréns. 
Não vou falar sobre a volta do primeiro damismo, esse papel secundário, decorativo, destinado a ti e a todas as mulheres nesse governo golpista. 

Quero falar sobre maternidade, sobre não termos receitas, sobre criação com apego, sobre violência obstétrica, sobre creches, educação infantil, horário de atendimento em postos de saúde. Quero falar sobre licença maternidade de quatro meses e paternidade... bem, ser apenas licença hospitalar! 

A absoluta maioria das mulheres, Marcela, torce pra conseguir uma vaga em creche quando o bebê tem 100 dias para fazer a adaptação nos últimos 20 da licença. Outras, passam o dia angustiadas, pois deixam uma "vizinha" cuidando do bebê em ambientes não adequados. 

A média desmama aos 56 dias (aliás, por que  você não falou em amamentação? A indústria não gosta?). Muitas mulheres são demitidas ao voltar. Ou pior: quando faltam o trabalho para pegar a ficha no posto de saúde. E seu marido, Marcela, ainda quer congelar os gastos em saúde e educação com a  PEC 241. Imagina!!

Marcela, sei que muitas mulheres tornam-se empoderadas ao se depararem com a realidade. Vi isso acontecer muitas vezes nessas quase duas décadas de militância. Veja as crianças como se fossem o seu filho! Tu sabes que elas precisam, sim, de cuidados. E, para isso, precisam também do Estado. 

Esse Estado que seu marido quer "congelar", destruir. Esses gastos públicos que ele quer congelar são a creche de um bebê igual ao Michelzinho. São a consulta pediátrica de uma bebê igual a Laura. 

Sabe, Marcela, é muito bom cuidar da Laura. Muitas mulheres, como você, optam por não trabalhar, eu as respeito. Outras, como eu, trabalham, estudam e cuidam dos filhos. Eu respeito a todas as nossas escolhas.

Porém, precisamos saber que para a imensa maioria não há escolha. A volta ao mercado de trabalho é uma imposição. E eu preciso te alertar: crianças não são felizes sozinhas. Crianças são cuidadas. Esses cuidados passam por mães e pais que não podem trabalhar doze horas por dia! Que não podem ter seus direitos submetidos a negociação em plena crise! Essas crianças serão felizes com educação e saúde públicas de qualidade. Se a crise aumenta, mais esses pais trabalham, se não há direitos trabalhistas, mais frágeis ainda são essas mães no mercado de trabalho, se hoje achamos ruim quatro meses de licença, podemos seguir o caminho dos EUA que, simplesmente, não a concedem. 

Marcela, vem com a gente lutar pela felicidade de nossas crianças. Vem com gente lutar contra a ampliação da jornada de trabalho, contra a PEC 241. Vem com a gente lutar por uma sociedade em que mulheres e homens possam cuidar mais de seus filhos.

Manuela d'Ávila

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Criança feliz a que custo?

O texto abaixo é da fanpage Quartinho da Dany.
Coloquei aqui porque quero tê-lo sempre à mão. 
Leiam!

Após ler algumas notícias sobre o programa “Criança Feliz”, acho necessário fazer alguns apontamentos sobre como é o discurso utilizado para colocar a mulher emseu devido lugar.
Na Folha, fizeram questão de deixar bem claro que o tom do discurso de Marcela foi EMOTIVO e a primeira-dama fez questão de ressaltar que será um TRABALHO VOLUNTÁRIO, SEM REMUNERAÇÃO. O tom de seu discurso também foi descrito como PAUSADO e PROFESSORAL. No G1, enfatizaram que Marcela é JOVEM e MÃE. No Estadão, seu tom foi descrito como MATERNAL e ela também destacou a importância do INSTINTO MATERNO.
Resolva as questões:
1.Destaque todas as palavras utilizadas no texto acima que estão em caixa alta:
Resposta: EMOTIVO, TRABALHO VOLUNTÁRIO, SEM REMUNERAÇÃO, PAUSADO, PROFESSORAL, JOVEM, MÃE, MATERNAL e INSTINTO MATERNO.
2. Explique como essas palavras estão ligadas no mesmo campo semântico:
Resposta: Todas as palavras fazem parte do campo semântico do papel feminino da mulher-mãe na nossa sociedade patriarcal.
3. Com suas palavras, disserte sobre os atributos destacados da primeira-dama para exercer um trabalho relacionado a crianças:
De acordo com a seleção de palavras, para trabalhar com crianças, é preciso ser jovem, emotiva, professoral e maternal, pois o papel da mulher na nossa sociedade é apenas cuidar do lar e dos filhos. Não é à toa que boas professoras retratadas na mídia seguem este padrão (maternal-jovem-emotiva). Para citar um exemplo, a Professora Helena de Carrossel eternizou, nosso imaginário, o que é ser uma boa professora querida pelos alunos. Tanto é que costumamos chamar a professora do Infantil de “tia”, alguém praticamente da família, maternal, que nem precisa ganhar tanto assim para cuidar dos “sobrinhos”. Além disso, não é coincidência não existirem professores homens atuando na Educação Infantil. Homem não tem o tal “instinto maternal”. A ênfase em Marcela ser mãe é um recado muito bem dado: quem cuida das crianças é a mãe. Ela - somente ela - com seu instinto maternal e tom pausado (tem que ser calma e emotiva) é capaz de ser a (única) responsável pelas crianças: quem pariu Mateus, que o embale. Mães, professoras, babás, avós, sogras e cuidadoras em geral são destinadas a um papel específico na sociedade quando o assunto é criança, cuidar delas. E esse trabalho deve ser “voluntário”, “sem remuneração”, porque estamos apenas fazendo a nossa parte, a nossa obrigação, ao colocar o tal do instinto materno em prática. Não precisamos de remuneração. Os homens - ministros, presidentes, prefeitos, deputados - saíram à caça de comida por nós. A partir dessas reflexões, podemos imaginar por que todas as profissões ligadas ao cuidado infantil são tratadas como menos importantes e indignas de remuneração decente. Professoras, babás, mães e empregadas domésticas - funções quase que exclusivamente femininas - não precisam de (boa) remuneração. Aos homens, os ministérios. Às mulheres, o cuidado infantil VOLUNTÁRIO.
4. Deixe um recadinho do coração ao novo governo:
Prezados, engulam esse instinto materno! Da mesma forma que homens não sabem ser pais, a gente também não sabe ser mãe. A diferença é que alguém precisa se responsabilizar pelas crianças e isso acaba caindo no nosso colo. Nós aprendemos a duras penas como é cuidar de uma criança. E não é por causa do instinto materno. É porque aos homens nunca coube essa função enquanto nós somos ensinadas desde crianças que nós brincamos de bonecas, mamadeiras, casinha, vassoura, fogãozinho e lava-louça. A eles, carros, ferramentas, fantasias de super-heróis, blocos de engenharia e roupa de astronauta. Não necessariamente somos emotivas, calmas, carinhosas e professorais. Podemos ser assertivas, duras, determinadas, ousadas, valentes, corajosas e firmes. Mas, se assim formos, seremos taxadas de loucas. Ainda bem que estamos começando a conhecer palavrinhas mágicas e uma delas é “gaslighting” (dá um google aí!). Assim, temos certeza de que não somos loucas. Somos humanas. Cuidar de criança é trabalho de todos (“it takes a village to raise a child”). Não queremos e não podemos cuidar delas sozinhas. Nós ficamos sobrecarregadas, adoecemos, enlouquecemos e perdemos nossa identidade. Não queremos mais isso. Professoras querem salários altos compatíveis com sua formação. Elas não são “tias” e não estão fazendo trabalho voluntário. São profissionais capacitadas. Babás e empregadas domésticas querem remuneração e reconhecimento compatíveis com seu enorme trabalho. Mães querem divisão de cuidados 50/50. Não precisamos ser belas, recatadas e do lar. Podemos querer dinheiro, poder, reconhecimento, respeito e, acima de tudo, uma mudança urgente de paradigma. A primeira infância é responsabilidade de toda a sociedade e não só da mãe. Marcela, não convide só “as senhoras primeiras-damas e as senhoras prefeitas municipais” para tratar do assunto. Chama uzómi! As mulheres estão carecas de saber sobre a importância de cuidar da infância. Afinal, somos nós que fazemos esse trabalho VOLUNTÁRIO há tempos.
Querem #CriançaFeliz? Comecem priorizando o parto respeitoso no SUS, disponibilizem bancos de leite para doação de leite e orientação em todas as cidades do país, abram concurso para doulas em maternidades públicas, invistam em creches públicas de qualidade, aumentem o salário dos professores, aumentem o tempo de licença maternidade e paternidade nos estabelecimentos públicos e privados, fiscalizem a merenda de péssima qualidade das creches, regulamentem a propaganda infantil, proíbam alimentos que colaboram pra péssima saúde das crianças dentro das escolas, punam as escolas que desrespeitarem a qualidade da merenda e fizerem teatro com palhaço do Mc, cassem o registro de obstetras com taxas de 100% de cesáreas, fiscalizem as prescrições desnecessárias de leite artificial já dentro da maternidade, multem pediatras que prescrevem leite artificial sem necessidade. Invistam na infância com honestidade. Não joguem mais essa no nosso colo.
E parem de usar a Marcela!
Espero que eu tenha esclarecido tudo num tom ~professoral~ e ~emotivo~.
Fontes:

O dia que eu virei mito

Estava eu parada no semáforo no Centro de Curitiba quando na frente do meu carro passa Deltan Dallagnol, cercado de outros engravatados.

Não resisti. Pus a cara pra fora do carro e gritei "Fala, rei do power point!". Ele olhou, todos olharam, o semáforo abriu.

Mitei.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Sim, eu sou a mãe a Dalila!

Dalila sempre foi diferente. Era um bebê que jogava beijo para os estranhos no metrô, que abraçava morador de rua, que aos 3 anos reclamava se eu não cumprimentasse o segurança do banco, que separava brinquedos ainda na caixa para dar a quem não tinha, que se preocupou sempre se o outro estava bem.
Eu me emociono quando lembro de tantos momentos em que ela me fez uma pessoa melhor.

Questionadora, indignada com injustiças, conciliadora nas relações familiares, desprendida quando tem que ajudar alguém. Uma filha parceira e cuidadosa.

Chega aos 13 anos com uma compreensão do mundo que me enche de esperança. Mais do que uma adolescente linda, ela é uma cidadã que se importa com o mundo em que vive. Formar e passar valores pra alguém assim faz a vida ser melhor.

Na última reunião de pais na escola, ouvi de vários professores "Você é a mãe da Dalila? Parabéns".

Sim, eu sou a mãe da Dalila. E morro de orgulho disso!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Terceirizados não podem reclamar

Mesmo com as placas "Estamos em greve", a agência do Banco do Brasil na esquina da Marechal Deodoro estava aberta. As funcionárias terceirizadas da limpeza lavavam o chão.

Certamente, elas também querem melhores condições de trabalho e reajuste com ganho real, como os bancários. Mas não podem protestar por isso. Terceirizado se fizer greve, é demitido.

Pensa nisso!

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Libertemo-nos, meninas!

Não tenho inimigAs.
Nāo mando recado pra recaldA.
Não provoco invejosAs.

Nenhuma mulher pode ser vista como rival.

Nosso único inimigo é o machismo de cada dia, que, por sinal, insiste em querer nos convencer de que devemos duelar entre nós.

Libertemo-nos disso, meninas!

Vocês têm noção?


Curitiba e o problema das notas fiscais

"Estou com problemas na impressora"
"Meu sistema está com problema"
"Só tenho nota na outra loja"
"Nota é só com a gerente. Você espera ela voltar? "
"Preencha esse formulário [com uns 15 itens] que a gente manda por email"

As desculpas são inúmeras e os locais os mais variados: padaria, sapataria, restaurante, loja no shopping, posto de gasolina, salão de beleza.

Em Curitiba [A República] são raros os lugares que te entregam nota fiscal após uma compra/consumo sem que tu peças. E em muitos deles, quando tu pedes, vem um arsenal de desculpas pra não te entregar.

Não me furto de bancar a chata e pressionar na hora aquilo que é um direito meu.

Sonegar imposto também é corrupção. Não sejamos coniventes!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Não precisamos de legislação trabalhista porque temos cultura, defende ministro de Temer

Em entrevista ao vivo na Band News FM, na tarde desta quarta-feira, o ministro da Secretaria de Parcerias e Investimentos do Temer, Moreira Franco, soltou essa pérola ao falar de direitos trabalhistas:
- O acordado tem que se sobrepor ao legislado.
- Mas os trabalhadores temem perder direitos, que as empresas deixem de respeitar direitos como férias e décimo terceiro, ministro.
- Não. Não corre esse risco porque no Brasil existe a cultura da férias e do décimo.

Ou seja, não precisa ter legislação porque existe uma suposta "cultura" pra nos proteger.
Foi pra isso que vocês apoiaram o golpe?

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Coração valente

"Eu fui descrita como uma mulher dura, e sempre disse que era uma mulher dura no meio de homens 'meiguíssimos'. Eu nunca vi ninguém acusar um homem de ser duro, e a gente sabe que eles são. Muitas vezes disseram para mim: mas você é sensível. Esta afirmação é estarrecedora, porque significa que conseguiram construir em torno de mim um nível de desumanização muito alto", disse a presidente Dilma Rousseff.

O trecho postado no facebook pela jornalista Lenise Aubrift Klenk é uma das falas mais fortes da Dilma nesse episódio.

Com todas as vênias do mundo (não ouso me comparar à Dilma), sempre que precisei ser firme na vida - e foram muitos os momentos - fui cobrada pela "dureza igual a de um homem".

Durante muito tempo, naturalizei isso, embora me incomodasse demais. Hoje, eu entendo o recado que passei a vida ouvindo. Se não é fácil ser assim numa vida comum como a minha, imagina com as responsabilidades e pesos que essa mulher teve que carregar desde tão jovem. Vontade de enche-la de abraços e beijos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TV Brasil, Agência Brasil e radiojornalismo da EBC entram em greve

A EBC é a empresa pública federal, ligada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, responsável pela TV Brasil, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, oito rádios públicas, além de operar serviços como o canal de televisão NBr e a Voz do Brasil

A partir da zero hora desta terça-feira, 10/11, empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entraram em greve contra a proposta de reajuste da empresa de 3,5%, bem abaixo da inflação no período (outubro a novembro) que é de aproximadamente 9,8%, segundo estimativa do Dieese. A proposta do órgão é que este percentual seja usado para 2015 e 2016. Isso pode representar uma perda salarial para os trabalhadores de até 15% em dois anos.

A EBC é a empresa pública federal, ligada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, responsável pela TV Brasil, Agência Brasil, Portal EBC, Radioagência Nacional, oito rádios públicas, como as Rádios Nacional do Rio de Janeiro e de Brasília e as Rádios MEC AM e FM. Além disso, opera serviços como o canal de televisão NBr e o programa de rádio Voz do Brasil.


A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada no dia 5 em assembleia nacional dos trabalhadores das quatro praças da empresa (Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e São Luís). 

Há exatos dois anos, esses mesmos trabalhadores realizaram uma greve de 15 dias e que paralisou cerca de 700 dos 2 mil funcionários. Neste momento, foi conquistado aumento real e garantiu que não fossem retirados direitos já previstos no Acordo Coletivo, como horário especial para amamentação e transporte para os empregados do horário notuno.

Os empregados reivindicam um aumento salarial conforme o índice de inflação mais um ganho real linear para todos os empregados de R$ 450 (esse valor corresponde a cerca de 5% do total da folha de pagamento da empresa). Além disso, eles lutam para que as negociações do ACT sejam realizadas anualmente. A data-base dos trabalhadores é 1º de novembro.

Pelo fim dos privilégios

Os trabalhadores também denunciaram os privilégios que são dados aos cargos de diretoria dentro da empresa pública. Eles lutam por isonomia dentro do quadro de empregados e pressionam para que, neste momento de crise, a empresa faça cortes em cargos comissionados, nos salários da chefia e em outros benefícios dados aos cargos de direção como: vaga privativa na garagem paga pela empresa, auxílio-moradia e diárias recebidas pela direção com valor muito superior aos que são pagos aos empregados.

Confira o abaixo-assinado endereçado ao ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, que pede o fim dos privilégios na empresa pública. No primeiro dia de mobilização, os trabalhadores farão um cabidaço, colocando cabides na entrada da empresa, como forma de protesto para expor esta situação.

“Altos salários são pagos para os cargos comissionados da Empresa, que estão na magnitude dos R$ 29 mil para o diretor-presidente (fora os privilégios, que fazem com que o salário do presidente chegue a vultuosos R$ 35 mil), valor assustadoramente próximo ao salário da Presidenta da República e seus ministros de Estado, que é de aproximadamente R$30 mil. Nosso diretor-geral ganha quase R$ 27 mil e os demais diretores da EBC, cerca de R$ 25 mil”, diz um trecho do documento.

Acompanhe a greve da EBC: https://www.facebook.com/SJPDF e facebook.com/comissao.ebc

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Forme um cidadão dentro da sua casa e o mundo há de ser melhor

Criar um filho não é tarefa fácil.
E a dificuldade não está nas noites mal dormidas, nos gastos ou nas tarefas nem sempre prazerosas que a maternidade requer.

O maior desafio é apresentar o mundo para uma pessoinha de forma que ela veja sabor na vida sem deixar de enxergar as necessidades dos outros, sem deixar de se indignar com injustiças, sem ser inerte diante das transformações sociais. Orientar a formação de um cidadão, permitindo que ele tenha liberdade e senso crítico para fazer suas próprias escolhas de forma consciente. 

Ufa!

(E essa responsabilidade dobra quando 70% a criação desse ser está nas suas mãos. Ser "mãe solteira" impõe a nós, mulheres, uma cobrança ainda maior. A sociedade cobra, mas nos cobramos ainda mais.) 

Lembro com detalhes da oração que fiz à caminho da sala de parto, quando pari a minha primeira filha, há mais de 12 anos. "Que essa menina faça diferença no mundo para o bem coletivo". Era um mantra. Repeti muitas vezes. E não só naquele 30 de maio. Venho fazendo isso ao longo de toda a vida da Dalila. 

No último domingo, ela foi ao ato pela cassação deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara Federal, em Belém. A ida foi uma iniciativa dela, obviamente, muito apoiada por mim e pelo pai. Uma amiga querida que também iria com as filhas encarregou-se de levá-la. 

Quando li o relato dela nas redes sociais, só conseguia repetir pra mim "Obrigada, meu Deus!". A tarefa de ser mãe está dando certo. 


Relato da Dalila

Tenho 12 anos e hoje fui ao meu primeiro protesto.


Assim que cheguei lá, minha primeira reação foi analisar todas as pessoas, (principalmente mulheres), que estavam lá. Difícil colocar todos em uma só "categoria", porém, todas as vezes que cantava as musiquinhas eu me lembrava que todos estavam lá por uma só causa. A liberdade. Uma palavra tão simples de ser dita mas tão difícil de ser conquistada. Estavam lá pela vida. Porque do que adianta viver sem liberdade? 

Fiquei MUITO feliz de ter estado lá e sentir a sensação de pelo menos ter tentado lutar. Todas as pessoas tinham que uma vez na vida ter essa sensação de ajudar com um pequeno esforço a mudar milhares de vidas.
Alguns dizem que foi em vão, mas só pelo fato de poder mostrar que tem pessoas que ainda se importam com a causa, já valeu a pena.
‪#‎ForaCunha‬

‪#‎NãoMeCalo‬

Dalila carregando a faixa de abertura do ato Fora Cunha, em Belém



A felicidade pós-ato, com a família da Marcinha, que a levou para o ato




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A doméstica e o futuro médico: uma amostra do crime e castigo no Brasil

Há uns 15 dias o Brasil inteiro se revoltou com um crime: um bebê recém-nascido foi abandonado numa rua do bairro nobre de Higienópolis, em São
Paulo, capital (glo.bo/1GwE4Q1).

As câmeras de segurança do bairro (são muitas, para proteção de seus moradores) permitiram identificar rapidamente a autora do crime. Não vou dar o nome dela, pois já foi estampado em todos os jornais, revistas e sites de mídia do país. 

Apenas resumo que se trata de uma nordestina que vive e trabalha em Sampa como empregada doméstica. Mulher, nordestina, pobre. Possivelmente com pouco estudo.

A autora do abandono justificou-se na delegacia: já tinha dois filhos, mora na casa dos patrões com a mais nova (o mais velho é criado por parentes na Bahia), e com medo de ser demitida escondeu a gravidez inteira, pariu o filho sozinha no banheiro do quarto de empregada e depois deixou a criança na rua. Fez questão de ressaltar que não a abandonou: escondeu-se atrás de uma árvore e ficou esperando alguém encontrar o bebê.

(Parêntesis aqui: ela deixou a criança dentro de uma sacola que pegou na casa dos patrões. A sacola era do Au Pied de Cochon, um restaurante tradicional de Paris)

Por óbvio, a doméstica foi condenada. Não falo do processo criminal, que ainda vai rolar bastante - embora eu não tenha dúvida da condenação dela neste. Foi condenada sem apelação pela opinião pública. Foi xingada das piores imundícies nas redes sociais e no espaço dos comentários dos portais de mídia. Como sempre, não faltou o "na hora de fazer não pensou, né???", essa pérola-frase-feita que sempre mostra a condenação do brasileiro médio sobre o prazer da mulher.

Mas o que eu quero falar aqui é o seguinte: a doméstica, como disse, foi identificada em todos os detalhes. Sabe-se que é natural de Vitória da Conquista (BA), tem 37 anos, seu nome completo foi exposto nos jornais, sua foto e filmagem foram exibidas à exaustão. Condenada publicamente, com sua imagem arruinada.

Corta pro futuro médico: a USP divulgou que um aluno, concluínte do curso de Medicina, havia sido "punido" pela instituição (glo.bo/1RRb6B7). A punição: um ano de suspensão. O ato irregular dele: estupro. Isso mesmo, es-tu-pro. E não era o primeiro, era o segundo estupro pelo qual a USP o condenava. Ainda falta um: ele é acusado de ter estuprado três colegas de universidade, duas do curso de Medicina e uma do curso de Enfermagem.

Dentro de um ano ele poderá concluir o seu curso. E teremos um médico-estuprador-serial clinicando por aí. Quem sabe na área de ginecologia, para o completo não-desespero de suas futuras pacientes. Digo "não-desespero", pois o nome do futuro médico uspiano não saiu nos jornais - e, lógico, nome e foto provavelmente jamais sairão.

(Outro parêntesis: sinceramente, se a USP não considera três estupros algo grave o suficiente pra expulsar esse aluno, acho melhor fechar a Reitoria e largar a Universidade ao deus-dará. Sem nenhuma forma de gestão ou controle ela estará mais bem administrada do que agora)

É isso aí, pessoal: só uma suspensão e nenhuma execração pública ao estuprador serial da USP. Enquanto isso a doméstica segue sendo linchada, cuspida, agredida, condenada.

A coisa é tão gritante que sem ser mulher eu concluo que é muito escroto ser mulher nesse país! Nessas horas eu fico muito tentado a achar que as mulheres nos países islâmicos radicais tem uma vida menos difícil que as brasileiras. A mulher brasileira, afinal de contas, não pode:

- andar numa rua escura ou deserta, senão está "se expondo" ao risco de ser estuprada. Se for atacada a culpa é dela, por estar numa rua escura e deserta - ainda que essa rua seja o único caminho que ela tem pra sair e chegar de casa...- usar roupa justa ou curta, senão "merece" ser estuprada ou "está pedindo". A mulher só está segura se usar burca, usar a roupa que ela quiser não pode não!

- ser bonita ou explorar a sua sexualidade com independência, senão está sendo vadia, piriguete, vagabunda, ou qualquer adjetivo que os doentes gostem de usar. Homem pode fazer o que quiser, mulher tem que ser uma santa recatada;

- ir sozinha ou com amigas a uma balada ou um bar, senão "está procurando". A mulher só pode sair se tiver um homem no grupo, pra marcar o território e protegê-la dos demais. Senão a matilha se sente inteiramente à vontade pra atacar;

- pular carnaval sozinha ou com as amigas, senão leva passada de mão, apalpada e tem que dar beijo à força. Afinal, se está sozinha no carnaval ela "está querendo", já que mulher "séria" não vai pra carnaval sem um dono.

Em suma, a culpa do estupro, do assédio e da violência é sempre da mulher, pelo simples fato dela ser mulher, e ela só está segura se estiver dentro de casa, escondida.

Se eu fosse mulher no Brasil, só me sentiria minimamente segura se treinasse krav-magá e tivesse porte de arma!

A pobre doméstica, que por imposição de uma vida difícil, dura, de pobreza, se viu obrigada a abandonar seu filho, essa foi condenada em público. As vítimas do futuro médico estuprador-serial estão feridas pro resto da vida.Tanto a doméstica como as estupradas perderam tudo, da dignidade à imagem.

O futuro médico e atual estuprador-serial, esse não! Ao homem toda a benevolência e proteção! Ele conta com toda a proteção da mídia, da USP e da lei pra se manter incólume, concluir sua faculadade e ser um respeitável médico perante a sociedade.

Fecha-se o ciclo do crime e castigo à brasileira, uma situação recorrente quando a vítima é pobre ou mulher: o criminoso segue bem, obrigado, e as vítimas devidamente condenadas e/ou destruídas. E toda a sociedade jura de pé junto (num país que nem a lei básica consegue cumprir) que estaremos bem quando matarmos todos os bandidos em praça pública. Afinal, bandido bom é bandido morto.

Menos o estuprador-serial da USP, que pra todos os efeitos nem existe. Esse nem bandido é: trata-se do "doutor" Fulano de Tal. Aquele que talvez venha a ter no cartão de visita, abaixo do nome, o título "ginecologista".

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Texto do professor e advogado Alan Souza.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Delação não pode ser tortura, alerta juiz

Do Valor Econômico
André Guilherme Vieira | De São Paulo


Titular da vara federal de São Paulo que recebeu os autos da Lava-Jato sobre corrupção no Ministério do Planejamento, o juiz João Batista Gonçalves não é um entusiasta da delação premiada, que pode se transformar em "extorsão, tortura", alerta. 

O Valor entrevistou com exclusividade o magistrado que poderá ser o responsável pela condução de um eventual processo envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decorrente da operação. Em princípio, na hipótese de Lula tornar-se investigado na Lava-Jato, o inquérito seria distribuído a um dos três juízos especializados em crimes de lavagem de capitais em São Paulo (2ª, 6ª ou 10ª varas), porque ex-chefes do Executivo federal não têm privilégio de foro. 

"Que diferença tem a tortura de alguém que ia para o pau de arara para fazer confissões e a tortura de alguém que é preso e só é solto com uma tornozeleira, depois que aceita a delação premiada?", indaga. "E esse juiz que faz isso [homologa a colaboração premiada] depois vai julgar o caso. Isso a meu ver está errado. Não estou falando especificamente do [Sergio] Moro, estou falando em tese", diz o juiz federal, que defende mudança legislativa para que cada processo penal conte com a atuação de dois juízes: um responsável pela instrução processual e o outro pelo julgamento do réu. "Como pode o juiz recolher alguém no cárcere, forçá-lo a fazer a cooperação premiada e depois ele vai julgar. Com que serenidade?", critica.

O magistrado, no entanto, afirma que não é contrário à adoção da delação premiada: "Acho que deve ser um instrumento à disposição dos imputados. Ela não pode ser extorquida, não pode ser obtida mediante coação, mediante violência", pondera. Na opinião do juiz, a população tende a "querer sangue" quando se trata de caso criminal de grande repercussão.

Gonçalves relata um episódio em que, durante um seminário, colegas reagiram quando ele afirmou que a delação premiada deve ser mais um instrumento de defesa do que de condenação. "Daí os mais antigos sorriram e falaram: ´Não, a juventude quer sangue´. O mesmo sangue que se queria no Coliseu. O mesmo sangue que se queria quando um romano enfrentava um leão". Responsável pela ação penal sobre lavagem de dinheiro decorrente do caso Alstom (investigação sobre pagamentos de propinas feitos pela multinacional francesa a políticos de São Paulo), João Batista Gonçalves diz que a experiência com autoridades suíças indica que a delação premiada "é um instrumento absolutamente superado" para combater crimes financeiros. "Isso envolve muito dinheiro. E o dinheiro deixa rastros. Ele pode ser perfeitamente perseguido pelas autoridades e pode ser perseguido através da mídia. Hoje alguém consegue se esconder com internet, se a investigação for bem feita?", questiona o magistrado. Na opinião de Gonçalves, o relato do criminoso colaborador reproduz apenas partes de toda uma história. "A memória do delator é seletiva", ironiza. 

Perto de completar 69 anos (fará aniversário amanhã), o juiz titular da 6ª vara criminal federal decidiu que seu subordinado hierárquico, o juiz substituto Paulo Bueno de Azevedo, instruirá o processo sobre a Consist Software, empresa responsável pelo crédito consignado no Planejamento e suspeita de ter sido usada para desvios de R$ 52 milhões entre 2010 e 2015. Pelo menos R$ 37 milhões teriam abastecido ilicitamente o caixa do PT, segundo as investigações. O caso foi remetido a São Paulo obedecendo ao critério da territorialidade adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão em que o colegiado da corte optou pelo fatiamento da Operação Lava-Jato. 

Segundo Gonçalves, há na Justiça Federal uma tradição que norteia a distribuição de processos entre os juízes que integram uma mesma vara. "Claro que tenho competência para decidir o que será julgado por mim. Mas o processo [da Consist] tem seu número com final ímpar e a recomendação é que, na distribuição, vá para o juiz substituto", esclarece. Gonçalves conta que conversou com seu colega antes de destinar a ele o desmembramento processual da Lava-Jato: "Quando o processo chegou à vara, me informaram que era da Lava-Jato e que era [número] ímpar. Aí consultei o Paulo. Perguntei: ´Você se considera preparado para tocá-lo?´. Ele respondeu que sim. É um ótimo juiz", define. 

Paulo Bueno de Azevedo disse ao Valor que a instrução do caso tramitará sob segredo de Justiça e que não poderia fazer nenhum comentário a respeito. Na sexta-feira, o juiz aceitou pedido da defesa do ex vereador do PT de Americana, Alexandre Romano, o "Chambinho", e converteu sua prisão preventiva em domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica. Apontado como o primeiro operador de propinas no Ministério do Planejamento a serviço do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto (preso preventivamente e processado por corrupção e lavagem), Romano fez delação premiada na Procuradoria Geral da República e afirmou que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) seria beneficiária de dinheiro desviado da Pasta. O delator também implicou o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo (PT-PR), marido de Gleisi, que figura entre os investigados no inquérito que tramita na 6ª vara criminal federal de São Paulo.

Gonçalves atuou durante 20 anos como juiz cível e é um profundo conhecedor da legislação sobre improbidade administrativa. Formou-se bacharel em Direito em 1970, no Mackenzie. Em 1999 concluiu o doutorado em Direito do Estado na Universidade de São Paulo (USP). "Foram muitos anos de estudos na USP que me tornaram especialista em crimes financeiros", diz, apontando o diploma de doutor afixado em parede de seu gabinete. 

Há pouco mais de um ano se inscreveu, a uma hora e meia do prazo final, para ocupar a 6ª vara criminal, espécie de vitrine da Justiça Federal paulista em que já transitaram casos de repercussão nacional, como as operações Satiagraha e Castelo de Areia - ambas tornadas inócuas por tribunais superiores, que anularam ritos processuais conduzidos pelo então juiz Fausto De Sanctis, atualmente desembargador federal com atuação na área previdenciária. Gonçalves ganhou a disputa para a 6ª vara por decisão do Conselho Federal da Magistratura, que adotou o critério de antiguidade ao nomeá-lo. O magistrado foi criticado por alguns de seus pares, por ter pedido a remoção, na época, a pouco mais de dois anos da data limite para a aposentadoria compulsória, que então ocorria aos 70 anos. "Tinha a vaga aberta, eu preenchia todo os requisitos objetivos e subjetivos. Há sempre os que contestam. É natural. O titular anterior, Fausto De Sanctis, tocou cinco ações de repercussão nacional", resume.

Gonçalves reconhece que a perspectiva de julgar casos de repercussão o motivou a concorrer para o cobiçado juízo federal. Ele quer atuar na magistratura até os 75 anos, fato tornado possível após a aprovação pelo Congresso da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Bengala. "Eu sou um dos primeiros na lista de antiguidade e, se abrir uma vaga, e eu tiver a possibilidade de ascender ao Tribunal [Regional Federal da 3 ª Região], gostaria muitíssimo. Para encerrar a minha carreira da melhor forma possível". 

Site: http://www.valor.com.br/politica/4275244/delacaonao-pode-ser-tortura-alerta-juiz

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Sobre o tal inchaço da máquina pública

Entrevista agora há pouco na CBN sobre o inchaço da maquina pública entre 1992 e 2014 revelou alguns números:
- A quantidade de servidores é praticamente a mesma há mais de 20 anos;

- O custo cai constantemente frente a arrecadação;
- A área que mais cresceu (com folga) em número de pessoas e volume de recursos foi educação;
- Polícia Federal e Receita Federal estão entre os crescimentos mais expressivos.
- A maioria dos cargos de confiança é ocupada por servidores concursados sem partido.
- A qualificação profissional deu um salto, especialmente no numero de doutores, que saiu de 0,8% para mais de 12%.

De fato o inchaço precisa ser enfrentado.

O alerta é do jornalista brasiliense Lincoln Macário

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Não somos inimigas. Não devemos

Não tenho inimigAs.
Nāo mando recado pra recaldA alguma.
Não provoco qualquer invejosA.
Nenhuma mulher pode ser vista como rival.

Nosso único inimigo é o machismo de cada dia, que, por sinal, insiste em querer nos convencer de que devemos duelar entre nós.

Libertemo-nos disso, meninas!


sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Migração não pode ser caso de polícia, diz pesquisadora

A coordenadora do Comitê Migrações e Deslocamentos da ABA e Ph.D em Antropologia pela Columbia University ampliou a problemática dos deslocamentos humanos

Jornal GGN - "Não se trata de indagar somente 'quem tem direitos a direitos', mas também 'quem tem direitos a ser humano'", resumiu a pesquisadora Bela Feldman-Bianco, Ph.D em Antropologia pela Columbia University e diretora-associada do Centro de Estudos de Migrações Internacionais (CEMI) na Unicamp, sobre as políticas públicas e o cenário de isolamento, seja político, social, econômico ou cultural, dos imigrantes pelo mundo. O panorama foi realizado em debate na Cátedra Unesco Memorial da América Latina, nesta quarta-feira (02).

E assim como uma estudiosa do tema, Feldman-Bianco analisa que uma das problemáticas que envolvem o fenômeno é a tendência positivista de reificar Estado-nação, ou seja, a influência da Academia de segmentar a origem dos indivíduos, como se as dificuldades partissem somente disso e não abrangessem os demais contextos locais. Da mesma forma, o negativo costume de restringir significados a denominações como "refugiados", "imigrantes", "expulsão", "desocupação", "desterros"... - sendo todos estes, explica ela, diversidades de nomes para o deslocamento de pessoas.

Sem a pretensão de confinar os campos de estudos, a pesquisadora, que é também coordenadora do Comitê Migrações e Deslocamentos da Associação Brasileira de Antropologia, lembrou que essa setorialização é levada para as políticas públicas. Não à toa, os haitianos, pelo crescente impacto de imigrantes do país caribenho no Brasil, integram hoje o Conselho Nacional da Imigração do Ministério do Trabalho, mas os demais refugiados são tratados pelo governo por uma pasta do Ministério da Justiça, ao lado de temas como a Segurança Pública.

"Os haitianos são refugiados ambientais. Isso traz à tona também a questão de que o Estatuto do Estrangeiro no Brasil é da época da ditadura. É um Estatuto todo baseado em Segurança Nacional. E a política que está sendo realizada brasileira são, apesar do Estatuto, ações pontuais, muitas delas feitas, inclusive, no contexto do Conselho Nacional da Imigração do MT", disse a especialista.

Essa "peculiaridade" de tratamento, ainda que com consequências positivas aos haitianos que chegam ao país, repercute o outro extremo do processo. "Os haitianos, pela questão ambiental, não poderiam ser considerados refugiados de acordo com o nosso Estatuto dos Refugiados, então se inventou um [Estatuto] customizado. Se há uma discriminação positiva em relação a eles, por outro lado, reflete como no Brasil faltam políticas públicas para os refugiados", afirmou.

Bela Feldman exemplificou que a precariedade do atual tratamento com deslocados parte da própria legislação brasileira. "Havia três anteprojetos de lei sobre imigrantes. Um conhecido como 'projeto de Lula', de 2009, outro do senador Aloysio Nunes, de 2013, e o mais recente de uma comissão especialista no âmbito da Comissão Nacional de Justiça. O projeto de lei de Aloysio Nunes foi discutido no Senado, aprovado, mas já incorporou os dois outros projetos. O PL muda o paradigma, mais de encontro com a Constituição brasileira em termos de sujeitos de direitos? Sim. Mas, por outro lado, na análise dessa lei é possível ver que dois terços do conteúdo se referem à criminalização", explicou.

"Precisamos nos organizar para tirar essa criminalização e o problema realmente é a questão migratória continuar na Polícia Federal. É um problema terrível, porque migração não é caso de polícia, não pode ser! Refúgios não tem nada a ver com a polícia. Tráfico de pessoas sim, mas não a migração", indagou, completando que, na sua longa especialização na área, foi necessário estudar violência para entender a própria temática da imigração.

Por fim, a especialista questionou se o Brasil é mesmo receptivo com o estrangeiro, como a própria imagem do país busca disseminar.

"O Brasil, até se fala, está de braços abertos para imigração. Mas eles necessitam de políticas públicas. Os haitianos se tornaram emblemáticos do que está acontecendo: chegam, não tem moradia, não tem nada. Esse caso mostra, e não são só haitianos que vêm do Acre para São Paulo ou para o Sul, vários senegaleses também vêm. A única exceção aqui em São Paulo é a criação de uma Coordenação de Políticas de Imigrantes", afirmou, criticando a falta de outras políticas de Estado.

Nesse hiato de iniciativas estatais, a pesquisadora relembrou a importância de associações, entidades religiosas e mesmo grupos de estrangeiros que vem cumprindo o papel de suprir o vazio das medidas públicas. "Quem acolhe imigrantes até agora, e isso desde o passado, são as igrejas, além das católicas, as igrejas evangélicas, as muçulmanas com a chegada dos sírios, ou redes sociais que se formam entre os próprios imigrantes e refugiados. Porque não existe política pública, e agora que se está começando".

É nesse sentido que Feldman analisa a necessidade de debater o tema do refúgio, da imigração e do deslocamento de pessoas. Assim como objetos de pesquisas acadêmicas, de necessárias políticas de enfrentamento ao preconceito, à xenofobia e às resistências culturais, a pesquisadora enfatiza que os imigrantes não são passivos, mas "protagonistas ativos das suas lutas".

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A demissão de jornalistas e o choque de realidade

Por Marcelo Migliaccio*


A demissão é um choque de realidade. Você passa centenas, milhares de manhãs, tardes, noites e até madrugadas enfurnado numa redação tensa e claustrofóbica. Perde os melhores momentos da infância de seus filhos equilibrando-se sobre um tapete que seus amigos virtuais puxam dissimuladamente, dando-lhe tapinhas nas costas toda segunda-feira e perguntando como foi o fim de semana.

Não importava pra você se o jornal em que você trabalhava apoiou dois golpes de estado e só desistiu na última hora de liderar o terceiro porque ia pegar muito mal. Sentindo-se parte daquela família, você relativizava toda a sacanagem. O que queria mesmo era poder entrar num shopping sábado à tarde e posar de classe dominante. Sim, você era o rei do supermercado, carteira cheia, empáfia, carrinho abarrotado. Venci, você pensava, com cuidado para o seu orgulho besta não dar na vista. 

Parecia até que era dono de alguma coisa além da sua força de trabalho. Sim, você confundiu tudo: uma coisa é o patrão, o dono da parada, a outra é você, o empregado, peça descartável como aquele faxineiro que coloca papel higiênico nos banheiros da redação. A culpa não é sua, qualquer um ficaria inebriado. Sei, seus textos são ótimos, nesses anos você fez isso e aquilo, entrevistou grandes astros, ministros, até presidentes. Mas isso tudo e nada para o manda-chuva é a mesma coisa. Seu belo currículo não resistiu à tesoura de um tecnocrata e Prêmio Esso não tem valor em nenhuma padaria da cidade.

Você ontem caiu das nuvens (bem, é melhor do que cair do segundo andar). Pelos seus anos de dedicação e suor, recebeu um rotundo pontapé no traseiro. Agora, ninguém vai mais convidar o "Fulano do Jornal Tal" para um almoço grátis. Porque o convidado na verdade era o Jornal Tal e não o Fulano. Entradas para teatro e cinema? Esqueça. Daqui em diante, ou você paga o ingresso ou fica na calçada da infâmia.

Não, amigo, você não é classe dominante, mesmo que tenha defendido os ideais dos seus patrões com unhas e dentes e a maior convicção do mundo. Suas ideias neoliberais talvez não façam mais sentido a partir de hoje. Será preciso encarar os vizinhos sem aquele poderoso crachá no peito. É hora de engolir o orgulho. Tem um gosto meio amargo, mas você consegue.

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Marcelo Migliaccio é jornalista com passagens nos principais jornais do país

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A história estuprada do Brasil

Por Valdson Almeida

Corre mata adentro, cansada, ofegante, vencida.
É o bandeirante desbravador estuprando a índia. E é ela a selvagem, claro!

Tapa a boca, escraviza a alma. Chora, vendida.
É o senhor da casa grande, proprietário de carne, estuprando a negra na senzala. E é ela a escória, claro!

É o militar patriota estuprando a comunista subversiva nos porões da ditadura. E é ela a ameaça ao país, claro!

É o policial vestido de hipocrisia que atende a mulher violentada agora há pouco, perguntando que roupa ela usava na hora do ocorrido. E é ela que se veste errado, claro!

É o pai de família que faz sexo com a esposa indisposta. Mas isso não é estupro, é só sexo sem consentimento mútuo, claro!

É o macho alfa que estupra corretivamente a lésbica “mal comida”. E é ela a doente que precisa de cura, claro!

É o aluno de medicina, estudante da “melhor universidade da América latina”, que estupra a caloura bêbada. E é a denúncia dela que mancha o nome da Universidade, claro!

É o político defensor dos “bons costumes” que só não estupra a deputada porque ela ‘não merece’. Ufa, pelo menos alguém sensato nessa história violentada do Brasil.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Não aos assobios e discriminações

Cada vez mais mulheres vêm buscando combater discursos que perpetuam rótulos
O assobio desagradável no meio da rua. O ser julgada pelo comprimento da saia. A ditadura do ser linda e magra. A obrigação de conhecer as dicas da revista para enlouquecer o homem na cama. São, aparentemente, meras questões comportamentais e que, de tão enraizadas na sociedade, não doem ou incomodam. Se engana quem pensa assim. Cada vez mais mulheres vêm buscando combater discursos que perpetuam rótulos, machismo e preconceito, alguns tão sutis que sequer são percebidos como tais por muitas vítimas. Há menos de um mês, cartazes com a frase "Deixa Ela em Paz" passaram a ser vistos em áreas de grande circulação do Recife, de Caruaru e do Rio de Janeiro. É o nome de uma campanha independente que vem angariando milhares de seguidores por meio das redes sociais.

As integrantes, que não dizem quantas são e não se identificam para não quebrar o espírito de coletividade, afirmam que a ideia surgiu a partir de experiências que, mesmo em pleno século 21, seguem reproduzidas em situações tão antigas quanto a condenação de Eva pelo pecado original. "A frase que intitula a campanha abrange a discriminação no ambiente de trabalho, relações abusivas, assédio nas ruas, moralismo. É preciso despertar para as opressões que as mulheres sofrem, dando voz a elas, para que possamos entender que estamos juntas, que podemos nos ajudar e tornarmo-nos mais autônomas, independentes, livres", conta uma das ativistas. "São situações comuns. Talvez, por isso, bastante gente se identifique com a ideia. Mas, ao mesmo tempo, o machismo se manifesta de formas sutis", completa.


Na capital pernambucana, um dos pontos escolhidos para a colocação de lambe-lambes com a mensagem de efeito foi a rua da Aurora, na área central da Cidade. Há exemplares em postes e muros perto da Assembleia Legislativa (Alepe) e do Monumento Tortura Nunca Mais. A rua da Assembleia, no Bairro do Recife, é outro local onde a iniciativa pode ser vista. Com um pouco de cola e um rolo de pintar, as próprias integrantes afixam as mensagens, geralmente em estruturas que já foram alvo de outras intervenções urbanas, como o grafite. Elas sabem que podem ver as peças arrancadas pela ação natural ou de fiscais, mas contam com a colaboração para espalhar a campanha pelo País. "Quanto mais gente puder combater o discurso do machismo, melhor", diz a mobilizadora.


AGRESSÕES - Rótulos podem parecer inofensivos, mas formam a escada que leva a justificativas de violências conduzidas às últimas consequências. Começa na propagação de que as jeitosas meninas devem arrumar a bagunça dos garotos desajeitados. De que aprender a cozinhar e a varrer a casa é serviço que compete somente ao sexo feminino. De que, quando disponíveis no mercado de trabalho, o homem é chamado de desempregado, e a mulher, de dona de casa. Nos casos mais graves, terminam em agressões e mortes simplesmente porque alguém se acha tão dono de sua ex-companheira que se vê no direito de não deixá-la retomar sua vida.


CULPA - "A mulher já nasce culpada. Ela tem que se preocupar até se a roupa que está vestindo vai ofender alguém. Se está muito feminina, se está muito masculinizada", comentou a coordenadora do curso de Direito Penal da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Marília Montenegro, durante evento, na última quinta-feira, acerca da rede de atendimento à mulher recifense.


Na ocasião, foi divulgada uma pesquisa baseada em 168 processos criminais sentenciados entre junho de 2013 e maio de 2014 na 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Ao todo, 34,5% dos casos - exceto homicídios - partiram de homens que haviam tido um relacionamento amoroso com as vítimas.


Elas eram, quase sempre, empregadas domésticas ou donas de casa. Eles, desempregados ou vendedores. Ambas as partes, com idades de 31 a 40 anos. A maioria das ocorrências foi relativa a ameaças e lesões corporais leves. "Isso mostra a necessidade efetiva de conscientização dessas pessoas. Temos buscado promover ações, inclusive nas escolas, para combater esses discursos desde cedo, acreditando na cidadania e na garantia dos mecanismos de proteção", destacou a secretária da Mulher do Recife, Elizabete Godinho.

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Matéria do jornal FOLHA DE PERNAMBUCO ON-LINE - PE, publicada nesta segunda-feira, 31.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Como é bom ser do PSDB

Pelo professor e advogado público Alan Souza

 
Entremeado por algumas notinhas sociais, a colunista da Folha Mônica Bergamo informa que o "cartel" da Alstom e da Siemens no metrô de SP vai morrer quieto. A Alstom vai fechar um acordo de leniência, pagar 1 bilhão (é o valor do desvio só da Alstom, sem contar a Siemens. E isso só no metrô de SP, que infinitamente menor que a Petrobrás!), não vai ter nenhum processo, ninguém foi preso, niguém vai responder por nenhum crime, e nem administrativamente.
(http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2015/08/1674406-alstom-negocia-acordo-para-devolver-dinheiro-ao-metro.shtml)
 
Corta pra Petrobrás: um mundo de gente presa, só vai solto se fechar acordo de delação, querem o impeachment da Dilma e o Ministério Público (que em SP avalizou o acordo de leniência) tentou impedir o Governo Federal de fechar qualquer acordo de leniência, indo contra uma legislação que ele mesmo ajudou a criar.
 
A melhor coisa do mundo é ser Tucano! Pode roubar à vontade e depois dizer que é "vítima do cartel", construir aeroporto com dinheiro público na fazenda da família, ser delatado na Lava-Jato*, ter conta-fantasma no exterior**, que não acontece nada, e o sujeito ainda fica por aí pagando de guardião da moralidade e com a mídia toda a seu favor. A mídia mundial noticia que Aécio foi acusado de receber propina (http://bit.ly/1LDaeQI), e a brasileira se cala...
 
*O doleiro Alberto Youssef disse em depoimento na Lava-Jato que Aécio Neves recebia propina de Furnas. Especificou o valor (150 mil dólares por mês), disse a quem era pago (à onipresente Andrea Neves, irmã do Aécio) e qual a empresa que efetuava o pagamento da propina (a Bauruense). Janot deixou de investigar Aécio alegando que se tratava de "um outro episódio", que não da Petrobrás. É como se um delegado estivesse investigando roubo de carga e numa batida encontrasse tráfico de drogas, e deixasse de investigar o tráfico alegando que "é outro episódio". Mas Eletronuclear, Ministério do Planejamento e tudo mais que apareceu na Lava-Jato e não era Petrobrás - eram também "outros episódios" -, tudo foi devidamente investigado. Menos Furnas, pra não incomodar o Aécio...
 
**E pra completar, desde 2010 está parado nas gavetas do seu Janot um inquérito do MPF do Rio de Janeiro, sobre uma conta fantasma de Aécio Neves no Liechenstein, país-paraíso fiscal europeu.
 
Como é bom ser Tucano!